Você já roubou um automóvel? Você, hmm... cheira cocaína e transa com prostitutas regularmente? Já apagou alguém? Não? Claro, é para essas e outras coisas que existe os filmes de Quentin Tarantino, o maior e mais sujo diretor dos últimos tempos.Tarantino é uma das mentes mais geniais do cinema atual, e não estamos falando somente da parte suja de violência, drogas, diálogos brilhantemente cretinos e palavrões "a la vonté" de seus filmes, mas do simples, prazeroso e divertido trabalho de ambientação de suas produções. Tarantino fede. Mas fede gostoso.Esse espaço é para todos os amantes de filmes que os conservadores esperam para queimar na fogueira. Mas a ordem da casa é gostar de filmes "cretinos", ou seja, são bem vindos comentários sobre qualquer filme que não se importe muito com a classificação "M" - recomendado para maiores -, levando a violência e o absurdo Pra começar, é do conhecimento geral (pelo menos entre os cinéfilos mais esclarecidos) que o Tarantino é um excelente "copiador". As influências dele, como vc bem lembrou, baseiam-se principalmente da cultura pop dos anos 70 (filmes, séries para TV e até mesmo a música), filmes orientais e westerns. Seus filmes são originais não por promoverem técnicas revolucionárias de direção ou por apresentar tramas inovadoras. A razão do sucesso do Tarantino com o público - e principalmente entre a crítica - é a forma como ele consegue fazer coisas originais usando fórmulas e conceitos usados a exaustão.O que vc chama de "plágio", o Tarantino chama de "homenagem". No mundo do cinema, não existe plágio que passe despercebido. Os filmes do Tarantino são recheados de referências (ou plágio, conforme sua concepção) a outros filmes sim, mas isso que é o legal. Essa é a marca dele, caso vc não tenha notado ainda.E pra provar como isso é do conhecimento geral, olhe só o comentário do pior crítico do Brasil, Rubens Ewald Filho, sobre "Kill Bill Vol. 1": (...) Tarantino continua sendo um excelente copiador. Se até um crítico de merda desses sabe isso, acho que está mais do que provado que qualquer pessoa minimamente esclarecida tem consciência disso tb. É por isso que eu digo que vc não é (ou era, sei lá!) tão fã assim do Tarantino.E cara... NÃO EXISTE um único diretor que não tenha feito uma referência/homenagem (ou plágio, como preferir) a outro filme na vida. Na verdade, isso é um recurso mais comum do que vc imagina, meu.Vc deve estar se perguntando: "O que diabos esse mané está querendo dizer quando afirma que o Tarantino consegue ser original copiando o trabalho de outros?". A resposta é mais simples do que vc imagina.
Vou citar um exemplo bem recente de filme que tomou o mundo de assalto com sua "originalidade": Matrix. Para o público majoritário, o filme foi bastante original msm; mas, para estudantes e doutores de psicologia e psiquiatria, nem tanto. Sem falar para os cinéfilos mais atentos, que conseguiram notar logo de cara a semelhança visual e conceitual do 1º filme da trilogia com "Dark City". Algumas cenas de Matrix são tão parecidas com as de Dark que fica difícil acreditar que são dois filmes "distintos".Em outras palavras, o que os Wachowski fizeram com Matrix foi pegar o visual e ambientação de um filme de ação-psicológico B, vários conceitos e teorias de livros psicológicos, acrescentar uma pitada de ação e filosofia oriental, gastar uma boa parte do orçamento com efeitos especiais (estes sim realmente originais), bater tudo num liquidificador e pronto: nascia um filme do caralho!O que difere o que os Wachowski fizeram com sua trilogia "original" com o que o Tarantino fez com seus filmes até hj? Nada, meu amigo. Ambos pegaram todas as referências que achavam legais e resolveram fazer um filme. Pq tantas pessoas insistem em dizer que os filmes de ambos são "originais" então? A resposta eu já dei lá em cima: a forma como eles usaram essas referências.Não existe mais espaço para "pioneirismo" no cinema hj em dia. No mundo onde "nada se cria, tudo se copia" que virou o cinema atual (e a arte, de uma forma geral, me arrisco a dizer), a originalidade está nos detalhes por trás das fórmulas pré-concebidas ao longos dos anos.Um exemplo "Tarantinesco" do que eu acabei de dizer: Pulp Fiction. Pulp Fiction está recheado de personagens e situações clichês. Onde está a tal genial originalidade dele então, vc se pergunta? Na estrutura narrativa. Nunca ninguém havia contado uma história num filme dividindo-o em capítulos desconexos daquelas forma.
Isso, aliado a diálogos geniais (outro ponto original nos filmes do Tarantino, mas que hj podem soar normais aos nossos ouvidos, depois de tantos filmes "plagiarem" sua fórmula), atuações perfeitas e situações incomuns é que tornaram Pulp Fiction um dos melhores filmes de todos os tempos em qualquer lista que vc ver. Claro, isso e as inúmeras referências/cópias/homenagens/plágios a outras obras (na maior parte da década de 70) e o carisma dos personagens clichês que só o Tarantino sabe fazer/desenvolver.Faça algo simples: pense nos filmes de diretores que vc ainda não “perdeu a fé” e tente avaliar até que ponto os filmes deles são realmente originais. Avalie de forma imparcial até que ponto a trama, os personagens, a direção e tudo mais seguem a mesma fórmula usada em muitos outros filmes, e o ponto onde ele se “desprende” dessas fórmulas e apresenta algo original. Te garanto que vc irá ficar surpreso com a constatação de que estes filmes realmente só são originais DE VERDADE por causa de pequenos detalhes (grandes ou não).Talvez assim vc consiga sacar a verdadeira originalidade “escondida” nos filmes do Tarantino.
só pra constar, mesmo "O Albergue" tendo apenas a produção executiva do Tarantino, tenho que adimitir que achei o filme uma BOSTA tb. Não sei onde ele estava com a cabeça quando produziu um LIXO daqueles.Mas, que cineasta nunca errou a mão, né não? Só espero que este tipo de "deslize" não vire rotina na carreira dele. mas de qualquer jeito o cara eh o cara
Nenhum comentário:
Postar um comentário